Ácido fólico

A prevenção primária de anomalias congênitas, através da suplementação periconcepcional adequada de ácido fólico, é uma oportunidade ímpar. Esta prevenção tem um impacto importante na redução da mortalidade e morbidade causadas

por defeitos congênitos e por várias doenças do adulto. Existe, atualmente, forte evidência de que a suplementação adequada de ácido fólico, durante períodos críticos da organogêne se embrionária, está associada à redução da ocorrência e da recorrência de defeitos de fechamento de tubo neural (DFTN), cardiopatias congênitas (especialmente defeitos conotruncais), anomalias obstrutivas do trato urinário, deficiências de membros, fendas orofaciais e estenose hipertráfica do piloro. A ingesta inadequada de ácido fólico foi associada a partos prematuros, retardo de crescimento intra-uterino e infartos placentários. Recentemente, o consumo adequado de ácido fólico em adultos foi associado à redução de doença cardiovascular no adulto assim como de algumas formas de câncer. Existe uma mutação, que é freqüente na população, no gene da 5,10 metilenetetrahidrofolato redutase, responsável pela produção de uma variante termolábil da 5,10 metilenetetrahidrofolato redutase, com atividade enzimática reduzida.

Esta mutação é um fator de risco tanto para defeitos de fechamento de tubo neural quanto para doença cardiovascular do adulto. O ácido fólico atua aumentando a atividade da metilenetetrahidrofolato redutase variante diminuindo, assim, os níveis plasmáticos de homocisteána. No entanto, este polimorfismo não explica todos os efeitos preventivos do ácido fólico. Os DFTN são uma das mais freqüentes anomalias congênitas, com incidência mundial anual estimada em 400.000 nascimentos. É uma desordem multifatorial e o risco de recorrência está diretamente ligado à sua incidência numa determinada população estudada. Através das projeções estatísticas na redução dos casos de defeito de fechamento de tubo neural, o Serviço de Saúde Pública dos Estados Unidos recomendou que: …”todas as mulheres em idade fértil, capazes de engravidar, devem consumir 0,4 mg de ácido fólico, diariamente, com o propósito de reduzir seu risco de ter uma criança com espinha bífida e outros defeitos de fechamento de tubo neural.

“Esta recomendação está baseada em estudos que mostram forte evidência de que o consumo de ácido fólico antes da gestação e durante as primeiras 12 semanas de gravidez reduzem a frequência de DFTN em cerca de 70%. Em 1993, o Colégio Americano de Obstetricia e Ginecologia recomendou que:… “Pacientes que tenham história prévia de feto com defeito de fechamento de tubo neural devem receber tratamento com 4,0 mg de ácido fólico, diariamente, iniciando, preferencialmente, 1 mês antes de ficar grávida e continuando durante os primeiros 3 meses de gestação.” A suplementação com ácido fólico não vai prevenir a recorrência em todos os casos, possivelmente porque alguns são relacionados a distúrbios metabólicos herdados, tais como nos pacientes com homocistiníria, ou a importantes fatores genéticos.

O ácido fólico pode ser encontrado em alimentos como o espinafre, aspargo, brócolis, fígado, sucos e frutas cítricas e grãos, mas é difícil conseguir o consumo de ácido fólico, nas doses recomendadas, somente através da dieta. Por isso, é adequada a prescrição de cápsulas contendo ácido fólico na dose indicada para cada paciente. Isto pode ser feito através de apresentações prontas em farmácias, ou através de farmácias de manipulação, onde se consegue o produto a um custo bastante reduzido e ao alcance da maioria das pacientes. Assim como na redução da incidência de anomalias congênitas em pacientes diabéticas, cuja doença pode ser bem controlada antes e durante a gravidez, a suplementação de ácido fólico é outro exemplo de prevenção primária de malformações potencialmente letais. E a responsabilidade de alertar e orientar as pacientes é nossa!

Fonte: www.maternofetal.com.br

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