Acupuntura em Geriatria

Inicia-se ainda quando se é jovem, ao final da segunda década de vida. Assim que termina o desenvolvimento

 

O mundo está envelhecendo. Nas últimas décadas, a terceira idade é o grupo populacional que mais cresce nos países desenvolvidos e em desenvolvimento. Mas o que significa envelhecer? Ficar mais velho não é apenas sentir o tempo passar; nem significa virar doente. Problemas de saúde podem aparecer, mas há soluções. O organismo do idoso tem menor capacidade de adaptação e demora mais tempo para recuperar-se que um organismo mais jovem. A incidência de várias doenças é maior nas pessoas com mais de 60 anos, e a presença de mais de uma doença é freqüente. O uso concomitante de vários medicamentos e a redução da função dos órgãos, em especial do fígado e dos rins, aumenta o risco de efeitos indesejáveis dos medicamentos e de intoxicações. A Acupuntura possibilitaria ao idoso reduzir a quantidade de medicação, diminuindo também os seus vários efeitos colaterais A acupuntura, por ser uma técnica relativamente pouco invasiva e muito versátil, desponta como terapia adjuvante promissora nesta faixa etária. O processo do envelhecimento é dinâmico e progressivo, ocorrendo alterações biológicas, sociais e psicológicas. Inicia-se ainda quando se é jovem, ao final da segunda década de vida. Assim que termina o desenvolvimento orgânico, ocorre um período de relativa estabilidade e as primeiras alterações decorrentes do envelhecimento são detectadas ao final da terceira década. Desidratação ou excesso de líquidos, por exemplo, são menos tolerados. Esta diminuição gradual da reserva funcional do organismo varia não só de um órgão ao outro, como também entre idosos de mesma idade. Fatores genéticos, ambientais e a história de vida de cada indivíduo podem influenciar essas alterações. Daí o fato de duas pessoas não envelhecerem da mesma forma. O débito cardíaco e a frequência cardíaca são normais ou ligeiramente reduzidos em idosos saudáveis em repouso, porém não aumentam como no jovem em resposta a estresses diversos, como exercício, infecções, hemorragia, infarto agudo do miocárdio. Ocorre uma progressiva diminuição na capacidade vital funcional dos pulmões. A eficiência do reflexo de tosse diminui, facilitando a retenção de secreções brônquicas. A acidez do estômago, a motilidade intestinal e a superfície absortiva do intestino delgado diminuem, tornando mais lenta a digestão e o trânsito intestinal. O fígado diminui de tamanho bem como o fluxo sangüíneo e o metabolismo hepático. A menor reserva funcional do fígado e dos rins aumenta a chance do acúmulo de medicamentos e de seus metabolitos no corpo causar efeitos colaterais adversos e intoxicações. No sistema nervoso central ocorre uma redução do fluxo sangüíneo, menor síntese de acetilcolina, catecolaminas e dopamina; o sono torna-se mais fragmentado. Os reflexos são mais lentos e há mais facilidade para quedas. O cérebro fica mais vulnerável a insultos diversos, e pode apresentar diminuição da capacidade intelectual de instalação aguda, denominado delirium, ou estado confusional agudo. Caracterizado por flutuações no nível de consciência, geralmente com piora de agitação à noite, o delirium é um sinal de alerta e seus fatores desencadeantes devem ser procurados. Os mais comuns são desidratação, uso de medicamentos com ação anticolinérgica, descompensação da doença de base (exemplos: diabetes, asma, insuficiência cardíaca) e infecções. A expectativa de vida da população brasileira está crescendo ano a ano. Isto significa que as pessoas vivem cada vez mais. Se tiverem hábitos saudáveis e procurarem se manter ativas física e intelectualmente poderão ter um envelhecimento saudável com boa qualidade de vida, minimizando as alterações próprias da idade e prevenindo doenças que incidem mais após os 60 anos. João Carlos Pereira Gomes, Célia Y. Portiolli Faelli e Hong Jin Pai

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