Cálculos urinários/urolitíase

Aproximadamente uma em cada 200 pessoas apresenta um cálculo renal por ano. Em torno de 80% destes são

 

 

Aproximadamente uma em cada 200 pessoas apresenta um cálculo renal por ano. Em torno de 80% destes são expelidos espontaneamente (urinados), enquanto que os outros 20% restantes necessitarão de alguma forma de tratamento. Se o indivíduo tem um cálculo, existe um risco de 50% de recidiva nos 5 a 10 anos subseqüentes. O sistema urinário É constituído por dois rins, dois ureteres, bexiga e uretra. Os rins “filtram” e limpam o sangue e produzem a urina formada pelo excesso de água e produtos dissolvidos, não mais necessários ao organismo. Muitos medicamentos são excretados por essa via. Os ureteres conectam os rins à bexiga, por onde a urina é ativamente transportada, devido a movimento próprio dos ureteres. A urina é armazenada na bexiga e daí expelida para fora pela uretra. A uretra basicamente não faz diferença para a litíase, porque tem luz muito maior que o ureter. O cálculo raramente irá parar na uretra do homem (nunca em mulher), em homens com LUTS (prostatismo) muito acentuado pode ficar na bexiga, é quando temos os cálculos vesicais. A uretra feminina tem 4 cm, é mais complacente e “sem curvas”; a do homem, cerca de 15 cm, com áreas mais justas em próstata (acima dos 50 anos), curva perineal acentuada (quase 90 graus), e área mais justa também em fossa navicular (junto ao meato). Por que se formam os cálculos? A urina contém substâncias químicas (“protetores”) que inibem a formação de cálculos, porém estes podem não funcionar bem em todas as pessoas. Os rins devem manter a quantidade de água necessária ao corpo e ao mesmo tempo remover substâncias não necessárias. Quando há um desequilíbrio no balanço entre líquidos e substâncias sólidas dissolvidas na urina, a mesma fica sobrecarregada, formando-se pequenos cristais, que não se dissolvem. Estes cristais começam a se agregar em camadas para formar um cálculo, que pode crescer por meses ou mesmo anos antes de se tornar um problema. Fatores de risco – História familiar de calculose – Alterações anatômicas do trato urinário – Baixa ingestão de líquidos – Imobilização prolongada – Doenças intestinais, gota (aumento do ácido úrico), alterações renais, tipos de dieta, outros. Um exemplo de combinação “perigosa” de dieta é aquela rica em proteína, sal e a pouca ingestão de líquidos, em pacientes predispostos(as). Não é possível saber sempre o que causa a formação de cálculos em uma pessoa. Podem os cálculos urinários causar lesões renais? Os cálculos podem causar lesões aos rins. Depende basicamente de sua localização e de seu tamanho. Para minimizar este risco é na maioria das vezes importante eliminar os cálculos existentes e tentar prevenir a sua formação.

 

Cálculos pequenos podem ficar nos rins, desde que não causem obstruções. Diante de cálculos com até 5mm, não indico tratamento algum, pois podem ser eliminados espontaneamente e são de muito difícil tratamento (não se consegue localização adequada no “quebra-pedras” e o trauma que pode decorrer do tratamento é maior que o benefício). Os cálculos podem aumentar de volume e chegar a causar obstruções locais, um cálice pe, ou facilitar a presença de infecções. O cálculo pode ser um “abrigo” para bactérias. Os sintomas Se o cálculo é pequeno e está localizado no rim, sem causar obstrução, na maioria das vezes não haverá qualquer sintoma. Se um cálculo obstrui a passagem de urina para a bexiga, geralmente no ureter, pode ocorrer a cólica renal. Esta é causada pela contração do ureter tentando vencer a obstrução. É uma dor em cólica, que pode ser muito intensa, geralmente localizada na região lombar do lado obstruído. Caracteristicamente não tem uma posição de melhora para a dor, ficando a pessoa “agitada”, e pode acompanhar-se de náuseas e vômitos. Se o cálculo estiver localizado já junto da bexiga, os sintomas podem ser semelhantes ao de uma cistite, com desconforto na uretra e vontade de urinar à toda hora. A dor pode atingir tal intensidade que seja necessária a internação para o seu controle. Como são diagnosticados os cálculos Pessoas com cálculos procuram assistência médica geralmente com quadro de cólica renal ou presença de sangue na urina ou eventualmente pelo achado incidental de um cálculo em exame de rotina, geralmente de ultra-som. A localização, o tamanho e a repercussão deste cálculo no trato urinário são importantes para o(a) médico(a) estabelecer uma correta estratégia de tratamento. O cálculo pode estar em qualquer local da via excretora (o caminho que a urina percorre desde a sua formação no rim até a sua eliminação). Geralmente o exame inicial é o ultra-som, exame pouco invasivo e que pode avaliar bem os rins e as porções finais dos ureteres junta à bexiga. No ultra-som pode ser visto o cálculo propriamente dito ou as alterações decorrentes da presença dele, como dilatações da via excretora, que são sinais indiretos da presença do mesmo. Eventualmente podem ser necessários exames adicionais para uma localização mais precisa do cálculo. Então, pode-se realizar a urografia excretora ou a tomografia computadorizada. Na urografia excretora é injetada na veia uma substância que é eliminada pelos rins, “desenhando” a via excretora e determinando o local do cálculo. A tomografia computadorizada espiral permite uma reconstrução do trato urinário através de imagens, sem a necessidade do uso de contrastes e tem a vantagem de levar apenas alguns minutos. Fonte: Prof. Dr. Wladimir Alfer Jr. (Crm 35583) Doutor em Urologia pela FMUSP, Research-fellow em Urologia pela Harvard Medical School Consultório São Paulo – Fone / Fax: 3845-9096 Unidade Alphaville Hospital Albert Einstein: 4195-8788

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