Câncer bucal atinge mais de dez mil brasileiros por ano

Ministério da Saúde promove nova campanha de prevenção da doença. Cerca de 70% dos diagnósticos do câncer bucal são feitos já num estágio avançado. Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) mostram que o câncer de

boca é o oitavo de maior incidência no Brasil. A cada ano surgem mais de dez mil novos casos. A prevenção e o diagnóstico precoce são as melhores armas para reduzir o número de vítimas. Atento a isso, o Ministério da Saúde, em parceria com entidades odontológicas, promove no começo do próximo ano uma campanha de prevenção à doença. O governo também autorizou o funcionamento do Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) do tipo III, que conta com mais estrutura e recursos. O aspecto mais alarmante desses dados demonstra que cerca de 40% dos registros de câncer bucal acabam em morte. Isso acontece porque 70% dos diagnósticos são feitos quando a lesão atingiu um estágio avançado. Para tentar reverter o quadro, haverá uma campanha nacional de prevenção. As ações – propagandas na televisão e colocação de cartazes em postos de saúde, hospitais e escolas – começam nos primeiros meses de 2006.

A medida pretende complementar as mensagens dos maços de cigarro que, há dois anos, advertem para os males do fumo, como o risco de desenvolver câncer de boca, afirma o coordenador nacional de Saúde Bucal do ministério, Gilberto Pucca. O câncer bucal se caracteriza por lesões, normalmente indolores, na mucosa e na parte externa dos lábios, na língua e em toda a região interna da boca. Pode-se suspeitar da existência desse câncer quando essas feridas persistem por mais de 20 dias. Ulcerações superficiais e indolores com menos de dois centímetros de diâmetro – que podem sangrar ou não – e manchas esbranquiçadas ou avermelhadas nos lábios ou na mucosa bucal são outros sintomas da doença. Em nível avançado, o câncer de boca pode levar a dificuldades de fala, de mastigação e da deglutição, ao emagrecimento acentuado, dor e à presença de linfadenomegalia cervical (íngua no pescoço). O uso cotidiano e regular do álcool e do cigarro, má higiene bucal, uso de próteses dentárias mal ajustadas, deficiências imunológicas e exposição ao sol sem proteção constituem os principais fatores que levam ao câncer de boca.

No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, geralmente desenvolve câncer bucal o indivíduo do sexo masculino, trabalhador, acima dos 30 anos, fumante, consumidor de bebidas alcoólicas e de classe social menos favorecida. Além do uso do álcool e do fumo, esse fenômeno estaria associado às más condições de vida das pessoas que, segundo Gilberto Pucca, alteram o sistema imunológico e tornam os pacientes mais debilitados. Auto-exame é fundamental para identificar doença O auto-exame da boca funciona como uma ferramenta eficaz no diagnóstico precoce da doença. Deve ser feito em um local bem iluminado, diante do espelho. Com o auto-exame é possível observar evidências, como mudança na cor da pele e mucosas, endurecimentos, caroços, feridas, inchaços, áreas dormentes e dentes quebrados ou amolecidos. É importante que o paciente esteja atento a esses sinais e busque o diagnóstico o mais rápido possível, aconselha Pucca.

Segundo ele, procurar o dentista numa fase inicial da doença aumenta bastante as chances de sobrevida. Para acelerar o diagnóstico, todas as equipes de saúde bucal do Programa Saúde da Família (PSF) recebem treinamento para identificar precocemente as lesões de câncer bucal. A partir do momento em que o paciente conhece o diagnóstico, é encaminhado para tratamento, que varia de acordo com a lesão. Uma lesão pequena pode ser tratada nos próprios Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs). São unidades especializadas em saúde bucal do Sistema Único de Saúde (SUS), implementadas pelo programa Brasil Sorridente, do governo federal. Uma das especialidades dos centros é o diagnóstico oral e a estomatologia – área da odontologia que também cuida do câncer de boca. Casos mais avançados recebem tratamento nas unidades de alta complexidade do SUS. Quando o câncer bucal é diagnosticado, a cirurgia, a radioterapia e a quimioterapia – isolada ou associada aos outros tratamentos – são os métodos usados. A cirurgia e a radioterapia são mais indicadas quando as lesões estão na fase inicial. Se o câncer bucal é descoberto nesse período, o paciente tem 80% de chances de cura.

Fonte: CORREIO DA BAHIA – BA 20/12/2005

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