Doutor, por que eu não engravido?

Mais de um ano de vida sexual ativa, sem fazer

 

 

Mais de um ano de vida sexual ativa, sem fazer uso de qualquer método anticoncepcional. E cadê o bebê tão esperado? A melhor hora de procurar a ajuda do médico é aquela em que o casal se sente fortalecido e mobilizado de verdade para buscar o diagnóstico e passar por todas as etapas de um tratamento. Para alguns, será necessária uma boa dose de força de vontade. E de paciência também. Mas o bebê que está em seus sonhos certamente compensará todo este esforço e espera. Descobrindo as causas No homem: A quantidade e qualidade dos espermatozóides serão pesquisadas logo de saída. A sua mobilidade também. Será que eles estão com dificuldade de chegar até o óvulo? No início, há uma célula. São necessários de 90 a 100 dias para que ela evolua, ganhando cabeça e cauda propulsora. Com isto, transformou-se em espermatozóide e tem características que permitirão seu caminho para a fecundação. O problema masculino pode estar justamente na ausência deste tipo de célula, na falta de estímulo hormonal para que se transforme em espermatozóide ou na obstrução que bloqueia seu trajeto até a trompa. Existem outras anomalias capazes de afetar tanto a produção como a qualidade dos espermatoczóides: varizes no testículo, por exemplo. Na mulher: São raros os casos em que não há produção de óvulos. Isso acontece somente com as que nascem sem os ovários ou eles deixam de funcionar e quando surge uma menopausa precoce.

 

Bem mais freqüentes, porém, são as alterações na ovulação ocasionadas por disfunções hormonais. Impedindo o encontro deste óvulo com o espermatozóide poderia estar uma obstrução provocada por processos inflamatórios. Clamídia, gonorréia e outras doenças sexualmente transmissíveis costumam ser as responsáveis. A endometriose entra, ainda, como vilã. O endométrio é um tecido que reveste o útero e serve para receber o embrião. Ao se desprenderem (as razões são desconhecidas), invadindo a cavidade abdominal, as células endometriais impedem o livre trajeto do óvulo, para a criação de uma nova vida. Outro fator de bloqueio são as seqüelas de cirurgias abdominais. Explica-se: ao serem expostos, os órgãos reagem desencadeando certas aderências que viriam a dificultar a ação de ovários e trompas. Estas aderências também podem ser causadas por processos inflamatórios pélvicos. É claro, miomas e pólipos uterinos são sentidos pelo organismo como corpos estranhos. Vilões também, pois impedem a fixação do embrião. Nada de culpa Descobrir as causas da infertilidade parece um quebra-cabeça dos mais desafiadores. E é mesmo. Caberá ao médico verificar as condições gerais do espermatozóide, ver se está tudo em ordem com o óvulo e avaliar as dificuldades do percurso que permitirá esta tão desejada união. Se a dificuldade é dele ou dela, que ninguém se sinta culpado. Trata-se apenas de mais um casal que sabe partilhar problemas e tem um compromisso assumido com a reprodução. Quer conhecer os exames? Para chegar a um diagnóstico preciso, o médico solicita estes exames: Homem: Espermograma – Indispensável para se analisar quantidade e qualidade dos espermatozóides. Teste pós coito – Uma coleta de material realizada na mulher, no dia seguinte à relação sexual, costuma ser pedida também. Serve para confirmar a resistência dos espermatozóides que deverão sobreviver de 60 a 90 horas, após o sexo. E isto em boas condições. Mulher: Testes hormonais – Recurso que permite comprovar se o organismo está produzindo certos hormônios – FSH e LH – que estimulariam a função ovariana.

Há ainda um outro teste para verificar a presença de progesterona, hormônio existente após a ovulação. Ultra-sonografia – Possibilita visualizar se a mulher ovula realmente. Permite também a visualização da estrutura de órgãos do sistema reprodutor: ovários e útero. Histeroscopia – Através deste exame, realizado com fibra ótica, vê-se o interior da cavidade uterina. Histerosalpingografia – A tentativa é para se certificar de que não há bloqueios no trajeto dentro da trompa. Feita com a ajuda de contraste. Videolaparoscopia – Agora, o que se quer examinar é a relação ovário e trompa. Sylvia Leal Consultoria: Dr. Luiz Fernando Dale, especialista em Reprodução Humana. Diretor do Centro de Medicina da Reprodução/RJ

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