Esclareça suas dúvidas sobre obesidade

1. Será que sou obeso? Obesidade é o aumento de peso às custas de tecido adiposo

 

 

1. Será que sou obeso? Obesidade é o aumento de peso às custas de tecido adiposo. O inchaço (edema) ou muita musculatura (massa magra) que aumentam o peso do indivíduo não constituem obesidade. Para saber se é obeso ou não, clique aqui. 2. Se sou obeso posso ser operado? Não. Se é obeso deve antes passar por uma investigação clínica para determinar as possíveis causas. Estabelecidas as causas deverão, se possível, serem removidas com tratamento clínico. Se mesmo assim continuar obeso então deverá consultar-nos para ver se se enquadra nos critérios de indicação cirúrgica. 3. Quais as causas da obesidade? As causas mais freqüentes de obesidade são: A origem genética (distúrbios da leptina), os distúrbios psicológicos (transtorno compulsivo periódico), a depressão endógena (bulimia), distúrbios endócrinos (doenças da tireóide, das glândulas supra-renais, hipófise, gônadas), maus hábitos alimentares associados a vida sedentária, etc. 4. Como é que sei quando a origem é genética? Geralmente um obeso tem pais ou parentes próximos obesos. A obesidade genética freqüentemente aparece em vários membros de uma mesma família. Existem estudos que demonstram este fato. Um relato científico curioso é de um estudos de gêmeos obesos adotados na Dinamarca, por pais adotivos diferentes. Ambos continuaram obesos independentemente dos pesos dos pais adotivos e mesmo sendo criados separadamente. Uma substância chamada Leptina tem sido responsabilizada como a causadora da obesidade quando o organismo a produz de forma deficiente ou quando seus receptores cerebrais (hipotalâmicos ) não a reconhece. A Leptina é responsável pela sensação de saciedade (sensação de estar satisfeito com a comida ingerida) e com a termogênese (gasto de energia do corpo).

 

5. E como sei que é decorrente de distúrbios psicológicos? Distúrbios psicológicos são muito freqüentes e não raramente associados às outras causas da obesidade. Merecem muita atenção e não devem ser deixados de lado. Merecem tratamento concomitante. Quando presentes e não tratados tornam o restante do tratamento bem mais difícil. 6. E a depressão endógena? Será que tenho isto? Depressão endógena é um distúrbio na produção de certas substâncias no cérebro das pessoas e que fazem com que as células do sistema nervoso se comuniquem funcionalmente com deficiência. São os neurotransmissores. (Exemplo: Serotonina). As manifestações clínicas são características e com freqüência estão associadas a bulimia, que é o ato de comer compulsivamente e o de engordar progressivamente. Um paciente nunca deverá ser operado sem tratar a depressão endógena quando presente. 7. O que são causas endócrinas? Existem doenças da tireóide como o seu mau funcionamento que levam o paciente a aumentar seu peso e ficar “preguiçoso” ( hipotireoidismo ). O médico fará o diagnóstico ao pedir exames da função da glândula tireóide, tais como T3, T4, TSH e outros. Feito o diagnóstico a doença será tratada e o peso do paciente será normalizado. Outra situação é o ganho de peso pela doença da glândulas supra-renais, que como o nome indica ficam em cima dos rins. Quando presente além do ganho de peso, o paciente aumenta a quantidade de pêlos no corpo (mulheres com barba, crianças peludas, etc.), apresenta estrias na pele esticada pelo excesso de gordura e inchaço, acumula gordura na face (cara de lua cheia ) e no dorso (corcova de búfalo). Exames laboratoriais (cortisol e outros ) farão o diagnóstico. Outras doenças como hipogonadismo (diminuição dos hormônios sexuais) e outras mais poderão causar ganho de peso. 8. Como devo proceder se sou obeso? Inicie com uma consulta médica com seu clínico de confiança. Faça exames para excluir causas orgânicas. Visite um Nutricionista para avaliar sua dieta e saber como orientá-la. Vá a seguir para uma consulta com um Psicólogo. Não deixe de fazer uma programação de exercícios físicos compatíveis com seu peso, sua idade e com suas aptidões. Um médico especialista em medicina do exercício saberá orienta-lo. Esta é a forma correta, científica e honesta para que seja investigado e tratado. Podemos servi-lo se nos der a honra. 9. Que tal remédios para emagrecer? Medicamentos para emagrecer são “facas de dois gumes”. Se adequadamente prescritos e orientados por quem entenda serão bem aplicados. Cuidado! Anorexígenos podem piorar doenças cardiovasculares. Pacientes depressivos pioram com medicamentos para emagrecer. Alguns antidepressivos ajudam a emagrecer. Não os tome se não sofrer de depressão. Cuidado com hormônios receitados sem causa endócrina da obesidade. Não acabe viciado em tranqüilizantes. Não existe medicamento milagroso. O tratamento deve ser feito com medicamentos junto com adequada orientação de Nutricionista, com programa de exercícios bem dimensionado e apoio psicológico. 10. E se eu decidir continuar gordo? Tem perigo? Não haverá nenhum perigo desde que não haja nenhuma doença outra decorrente da obesidade, desde que seu índice da massa corporal seja inferior a 40. Se tiver doenças associadas a obesidade, se junto com isto tiver índice de massa corporal de 35 a 40 ou mesmo sem doença associada tiver IMC acima de 40, estará correndo risco de sérias conseqüências. 11. Que doenças são estas? Que perigo é este? A obesidade mórbida, ou seja a que já causa doenças secundárias ao excesso de peso é acompanhada mais cedo ou mais tarde de uma série de doenças como doenças coronarianas (angina e infarto), hipertensão arterial, diabetes, hiperlipemias (gordura no sangue), arteriosclerose , acidente vascular cerebral (derrames), varizes, flebites, tromboses venosas, embolia pulmonar, hemorróidas, doenças osteo-articulares, hérnias e o próprio câncer. O obeso mórbido aumenta de dez vezes o risco de morrer em relação ao indivíduo normal e sua expectativa de vida diminui em 20% do que seria o tempo que viveria se fosse dotado de peso normal. A obesidade mórbida pode matar. 12. Onde entra a cirurgia da obesidade mórbida? A cirurgia da obesidade mórbida, ou seja, a operação que reduz a capacidade do estômago do paciente e o obriga a comer menos, está indicada quando existirem doenças associadas decorrentes do excesso de peso junto com índice e massa corpórea acima de 35 ou quando ainda não existirem estas doenças associadas, porém, quando o paciente já estiver com seu IMC acima de 40. 13. Qualquer um pode ser operado? Não ! Nem todos podem ser operados. Pacientes com distúrbios psicóticos graves, pacientes com alto risco anestésico ou com doenças associadas de alto risco não poderão ser operados. No restante, pacientes bem investigados e com doenças associadas bem controladas podem ser operados (desde que tenham índice de massa corporal de 40 kg/ m2 ou 35 kg/ m2 associados a doenças decorrentes da obesidade. 14. Como são estas operações? Existem muitas operações diferentes para o tratamento da obesidade mórbida. Não são operações para embelezamento. Muito pelo contrário. Ao serem operados os pacientes poderão ficar feios pela perda da gordura e acabarem no cirurgião plástico para tirar os excessos de pele e dobras. As cirurgias para obesidade mórbidas poderão ser restritivas e disabsortivas. As restritivas só impedem que o paciente coma em grande quantidade. As disabsortivas fazem com que o paciente, após comer, não absorva os alimentos. Da associação das duas usando um pouco de restrição e um pouco de disabsorção chega-se a um ponto ideal onde o paciente poderá perder de 40 a 50% do seu peso inicial. Cirurgias que desviavam o trânsito intestinal drasticamente, foram abandonadas devido as conseqüências indesejáveis. Outras doenças eram criadas no lugar da obesidade com mesmo risco. Depois de uma vasta experiência de milhares de doentes operados vários centros de referencia mundial nos tem ensinado que as melhores operações são as que associam os dois mecanismos descritos. 15. Tem perigo? Sim, tem perigo. Todas as operações envolvem morbidade e mortalidade. Não existe cirurgia sem risco. O que precisa ser avaliado é o quanto de risco. A operação de Capella tem mortalidade próxima de zero em pacientes jovens sem doenças graves associadas. Se olharmos todos os doentes, de qualquer idade ou doenças associadas, o risco de morrer chega nas vizinhanças de 1%.

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