Fome oculta: a vilã nutricional

Mas existe outro tipo de fome, que pode não ser provocada pelo

 

O consumo de quantidades insuficientes de alimentos, ou seja, a desnutrição, ainda é, infelizmente, um problema gravíssimo para muitos países, atingindo também grande parte da população brasileira, em especial as classes socioeconômicas menos favorecidas. Mas existe outro tipo de fome, que pode não ser provocada pelo “estômago vazio” e está se espandindo em todas as populações. O problema decorre da falta de alguns nutrientes importantes ou “protetores”, e atinge todas as classes sociais, desde os mais pobres (por alimentação insuficiente) até aqueles que dispõem de mesa farta (por hábitos alimentares inadequados).

 

Nos dois casos, os indivíduos não consomem a quantidade adequada de certos nutrientes indispensáveis, mas isso não é percebido pelo mecanismo interno de regulação da fome-saciedade. Ou seja, as pessoas não dispõem de “sensores” que as alertem para essas necessidades específicas. É a “fome oculta”, que corrói o organismo e o deixa desprotegido. Nos seres humanos, essa carência de vitaminas e minerais esssenciais se expressa em estresses fisiológicos,processos infecciosos (gripes, resfriados) e alterações de comportamento (desânimo, mau-humor, irritabilidade) que só aumentam a necessidade desses elementos ausentes, mas que muitas vezes não são repostos pelo fato de não ser detectada essa co-relação entre carências nutricionais e distúrbios físico-psíquicos.

Vale ressaltar que, embora os nutrientes reponham o que é gasto pelo organismo, mantendo todas as funções fisiológicas e a boa saúde dos indivíduos, o potencial genético de aproveitamento desses elementos varia de pessoa à pessoa, tornando-as mais ou menos propensas a determinadas doenças. Uma situação de estresse nutricional, por exemplo, acaba potencializando as tendências genéticas específicas de uma pessoa para desenvolver certas enfermidades. Os hábitos alimentares da vida moderna geram estresse e ansiedade. Além disso, a chamada “fome oculta” aumenta o risco de danos a vasos sanguíneos, reduz as defesas orgânicas contra agentes causadores de doenças e diminui a possibilidade de controle, no estado inicial de processos cancerígenos e da arteriosclerose. Existem muitas evidências epidemiológicas de enfermidades crônicas degenerativas ligadas a esse tipo de fome e da capacidade de proteção fornecida por uma alimentação variada e moderada, junto com hábitos saudáveis e atividade física moderada e rotineira.

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