Hiperidrose é tratada com toxina botulínica

Conhecida como eficiente aliada no controle de rugas, recentemente descobriu-se

 

 

Conhecida como eficiente aliada no controle de rugas, recentemente descobriu-se uma outra utilidade para a toxina botulínica: o controle da Hiperhidrose ou do suor excessivo nas axilas nas palmas das mãos e plantas dos pés. Cerca de 1% da população queixa-se do problema. Na maioria dos casos o Botox® e o Dysport® podem ser a solução. Nas aulas de ciências aprendemos que o suor é necessário para o controle da temperatura do corpo, seja durante um exercício físico ou sob temperaturas mais elevadas do ambiente. Todos temos e é normal. O problema ocorre quando o suor excessivo ocasiona desconforto e constrangimento, dificulta as atividades do dia-a-dia e interfere no trabalho, no lazer e nas atividades sociais. A médica Audrey Worthington explica que a sudorese é regulada pelo sistema nervoso autônomo simpático. “A hiperhidrose é uma patologia causada pela hiperatividade das glândulas sudoríparas. Esse fenômeno provoca a sudorese excessiva, principalmente nas mãos, pés e axilas, sem que haja um estímulo aparente”, diz. São roupas constantemente molhadas e manchadas, aspecto de má higiene e impressão de descontrole emocional. As causas podem ser as mais diversas, desde obesidade, menopausa, uso de drogas antidepressivas, alterações endócrinas e neurológicas com disfunção do sistemas nervoso e até mesmo desconhecidas em alguns casos. A pessoa que sofre desse mal freqüentemente se isola socialmente e adquire hábitos para esconder a sudorese excessiva. Simples atividades diárias como escrever, apertar a mão de outra pessoa, segurar papéis podem ser muito complicadas para os portadores de hiperhidrose. “Se a sudorese é mais intensa na região axilar, outros sintomas desagradáveis podem ocorrer como o odor fétido (bromidrose). A bromidrose é causada pela decomposição do suor, por bactérias e fungos e contribui para o aparecimento de doenças de pele”, revela Audrey.

 

Segundo a especialista, apesar de boa parcela da população (1%) queixar-se do problema, apenas uma pequena parte dos pacientes tem seu problema resolvido e tratado de forma eficaz e duradoura. “Os tratamentos com drogas antidepressivas, ansiolíticas e anticolinérgicas proporcionam apenas alívio parcial e apresentam efeitos colaterais indesejáveis, como alteração da visão, boca seca, problemas urinários, sedação, entre outros. Além disso, as opções de tratamento clínico são pouco satisfatórias, muitas vezes desconfortáveis e necessitam ser utilizadas por um período indeterminado”, questiona Audrey. Há alguns anos, a toxina botulínica (Botox®, Dysport®) começou a ser utilizada pelos médicos com segurança, com amplas indicações para tratamento de rugas da face, pés de galinha e pescoço. Hoje parece ser uma alternativa segura e simples para o controle da sudorese excessiva palmar e axilar. “Existem estudos comprovando que 92% dos pacientes ficam satisfeitos com os resultados desse tipo de tratamento”, festeja Audrey. Quando aplicada na pele, a toxina botulínica neutraliza a liberação de acetilcolina pelos nervos que atuam sobre as glândulas sudoríparas. Como o nervo permanece íntegro e a glândula de suor também, após um tempo, ocorrem brotamentos novos nesses nervos e o estímulo às glândulas volta, sendo necessária a reaplicação após esse período. Segundo ela, outro método, conhecido como simpatectomia (intervenção cirúrgica que interrompe a transmissão dos nervos responsáveis pelo suor excessivo) é a última alternativa de tratamento indicada somente para casos mais graves, após a tentativa com o uso da toxina botulínica tipo A. “Existe o risco da hiperhidrose compensatória, ou seja, o suor exagerado pode ser migrado para outras regiões do corpo que até então não eram afetadas”, defende Audrey. Atualmente a toxina botulínica vem sendo utilizada em aplicações diretamente na região em que o suor é produzido excessivamente, provocando a diminuição ou a interrupção da produção de suor pelas glândulas sudoríparas. O procedimento é simples, realizado sem internação, sem a necessidade de anestesia, e o paciente pode retornar às suas atividades normais no mesmo dia. Se o procedimento for nas mãos, pode-se colocar gelo, pomada anestésica local ou fazer a aplicação de bloqueio anestésico troncular, com uma injeção na região do punho, por onde passam os nervos de sensibilidade para a mão. Os resultados aparecem após uma semana de tratamento e o efeito dura em média de seis meses a oito meses. Audrey Katherine Worthington (CRM 75398) Cirurgiã-plástica pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, pós-graduada em Medicina Estética pela Sociedade Brasileira de Medicina Estética. Fonte: www.universodamulher.com.br

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