Nova válvula para o coração

 

Nova válvula para o coração…Menores chances de rejeição pelo organismo. Conseguir restaurar o coração é um dos maiores desafios da medicina. Na semana passada, a ciência marcou mais pontos nessa direção. Um dos avanços anunciados

é uma nova válvula cardíaca, desenvolvida com células do próprio paciente, criada por cientistas da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e da Santa Casa de Curitiba em parceria com a Universidade Humboldt, da Alemanha. As válvulas são estruturas responsáveis pelo bombeamento correto do sangue nas cavidades do coração. Quando há defeitos congênitos ou doenças degenerativas, elas falham e precisam ser reparadas – por ano, são feitas no Brasil cerca de 20 mil operações com essa finalidade e isso representa 20% do total de cirurgias cardiológicas.

Cerca de 50% dos pacientes, no entanto, precisam trocar a válvula. Nessa reposição normalmente usam-se modelos mecânicos ou biológicos (de tecidos animais, em geral do pericárdio de boi) e de doadores humanos. As de origem animal duram, em média, 12 anos para pacientes adultos. Depois têm de ser substituídas. Os tipos metálicos duram mais, mas exigem uso permanente de drogas anticoagulantes porque elevam o risco de formação de coágulos sangüíneos. Já os enxertos feitos com material de doadores humanos duram cerca de 25 anos. Se o corpo não os identificasse como células estranhas, durariam mais. A válvula desenvolvida pelo grupo do cardiologista Francisco Diniz Affonso da Costa vence exatamente esse obstáculo. Os cientistas conseguiram tornar as válvulas de doadores humanos mais duráveis usando células do próprio receptor.

Na primeira fase, os médicos removem os tecidos da válvula do doador até sobrar apenas sua estrutura. O objetivo é diminuir o combate lento do corpo às células estranhas a ele. Em seguida, retiram células endoteliais (revestem os vasos sangüíneos), da veia safena do paciente. O material é usado para recobrir a estrutura da válvula extraída do doador. “Dessa maneira, a estrutura é melhor aceita pelo corpo. Ela pode se regenerar como os outros órgãos”, diz Costa. Essa cirurgia foi feita em cinco pacientes. O catarinense Wilson Antenor, 35 anos, é um dos contemplados com o novo modelo. A operação aconteceu há oito meses, depois que Antenor começou a se sentir cada vez mais cansado e com falta de ar. “Minha válvula cardíaca não funcionava bem. Se não fizesse a cirurgia, em dois meses deixaria de caminhar”, diz ele. Outro recurso recente para reparar os tecidos do coração está sendo testado por pesquisadores americanos do Children’s Hospital, em Boston.

Eles estão animados com os resultados de estudos em ratos mostrando que a colocação de uma espécie de esponja embebida em periostina (proteína existente no tecido ao redor dos ossos) perto da área lesada estimula a produção de células musculares. “Normalmente os corações humanos adultos não se regeneram porque não fabricam mais essas células. Seria desejável induzi-los a fabricá-las novamente depois de uma lesão”, diz Bernhard Kuhn, do Departamento de Cardiologia do Hospital Infantil de Boston. A aposta na célula-tronco O uso de células-tronco no tratamento de doenças cardíacas já é feito no Brasil.

Elas ajudam na regeneração dos tecidos. Mas uma nova técnica, que associa célulastronco com células que dão origem aos músculos, está sendo usada em pessoas que tiveram doenças em que a falta de irrigação sangüínea causou a morte dos tecidos. O ineditismo do trabalho, feito na PUC do Paraná, é o uso combinado das células- tronco tiradas da medula óssea com as músculo-esqueléticas. O método foi aplicado em dez pacientes e mostrou-se animador. “As células músculo-esqueléticas funcionam na regeneração dos músculos. A associação das duas pode garantir melhor resultado”, diz Luiz César Souza, coordenador da pesquisa. O próximo passo será avaliar a técnica em portadores da doença de Chagas, que faz o coração crescer e perder a força.

Fonte: Isto é Online – MÔNICA TARANTINO

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