O fator mais importante de cura

 

Ainda existem pessoas que herdaram tanta saúde quando nasceram que acham perfeitamente normal esbanjá-la. Entretanto, aquilo que recebemos como presente precisa de atenção e cuidado para se manter. Cedo ou tarde, aparecem as consequências

da falta de responsabilidade e cuidados. Longos anos de prática, cuidando de doentes, me mostraram que aqueles que procuram ajuda pertencem a dois grandes grupos: os doentes que ativamente procuram contribuir para a própria saúde e aqueles que esperam passivamente que outros lhes devolvam a saúde. Infelizmente, o segundo grupo é maior. Provavelmente, isso ocorre porque a escola tradicional de medicina transmite aos doentes uma fé cega na autoridade médica e obediência sem críticas. Os representantes dessa escola de medicina exigem que o paciente — sem entender o sentido do tratamento e sem pedir qualquer esclarecimento — siga rigorosamente as instruções. Geralmente, o paciente recebe um papel onde estão escritas algumas palavras incompreensíveis.

Ele deve levar o papel para uma farmácia, onde recebe comprimidos, pó e gotas, que deve tomar e agüentar as conseqüências, sem questionar. Mesmo quando os medicamentos provocam reações graves, deve suportá-las de boa fé. Até parece que o médico tem medo de perder a sua dignidade ao conversar com o paciente, ao esclarecer o significado do tratamento. Desta forma, o médico tornou-se um ditador que tudo sabe e o paciente, em muitos casos, um objeto totalmente passivo e submisso a um tratamento que ele não compreende. Essa atitude errada teve, com o passar dos anos, influência desastrosa sobre a mentalidade dos doentes. Hoje, sofremos as conseqüências. Antes de mais nada, o profissional de saúde precisa fazer o possível para levar o doente a pensar e raciocinar de maneira independente. Este é o bê-a-bá para encontrar o caminho da verdadeira cura. Às vezes, essa tarefa é longa e difícil. O doente simplesmente exige ser tratado como criancinha. Se sugerimos que leia livros ou publicações que descrevem sua doença e a cura, ele é preguiçoso e indiferente demais para criar ânimo e ler. O dia em que ele está novamente por conta própria, cai — por ignorância ou comodidade — na velha rotina que provocou a doença. Se não for possível despertar sua responsabilidade e sua vontade, dedicamos a ele, inutilmente, força e tempo que poderiam ser melhor aproveitados. Porém, antes de entregar este paciente ao seu destino, precisamos fazer tudo para incentivá-lo à auto ajuda.

O médico que não procura esclarecer, despertar e educar, falha num ponto muito importante. Se ele argumenta que não tem tempo para se dedicar desta forma a cada paciente, só existe uma resposta: apesar de todas as outras providências, ele esqueceu o principal fator de cura. Are Waerland sempre dizia que cada pessoa precisa ser seu próprio médico. Como ele tinha razão! Não existe maior alegria do que ver o doente entendendo seu próprio corpo e aquilo que ele precisa. Ninguém pode sentir com a mesma precisão e sensibilidade o que o outro sente. Cada dor tem sua voz específica e cada organismo tem seu ritmo próprio. A evolução de uma doença nunca é igual em todos os detalhes. Os diversos processos ocorrem no organismo com inúmeras variações. Somente o próprio doente pode sentir as sutilezas e particularidades de suas reações e sensações. Presenciei o que significa uma pessoa compreender que não está entregue às doenças; que a vida exige que enfrentemos a doença e nos dá as armas para isso. Freqüentemente, pude observar essa reação até em pessoas muito doentes, desenganadas.

Sentindo que deveriam ser poupadas, escondia-se — geralmente a conselho médico — a verdade sobre sua situação. Sempre recusei pedidos desse tipo. Quando calmamente contava a verdade aos pacientes, sempre me agradeciam de todo o coração. Em seus olhos podia-se ler uma nova expressão de seriedade e determinação, e suas palavras sempre me diziam: “finalmente sabemos onde estamos, agora vale a pena lutar”. Incerteza traz insegurança, mas uma certeza, por mais dura que seja, dá forças. O sentimento de que é preciso lutar por alguma coisa e que vale a pena lutar, faz a pessoa amadurecer e crescer. Nas últimas décadas, nossos conceitos sobre saúde e doença mudaram muito. Os conhecimentos científicos no campo da fisiologia alimentar, da química e da biologia, provam que nós mesmos somos responsáveis pelas doenças da civilização e que elas são o resultado de um estilo de vida e alimentação errados. O lema para a vida natural e saudável diz: “Nós não estamos lidando com doenças, mas com falhas no estilo de vida. Eliminadas estas falhas, as doenças somem por si próprias.” Uma frase audaciosa! Sim — vale a pena tentar.

Fonte: Gesundheitsberater. Ebba Waerland, autora do livro “Terapêutica de Waerland” era cientista sueca, esposa do famoso biólogo Are Waerland Princípios básicos de Dr. Are Waerland para a vida: Não estamos lidando com doenças, mas com erros no estilo de vida. Eliminando esses erros as doenças vão desaparecendo. Nunca curamos uma doença, mas curamos um organismo doente. Somente restabelecendo o ritmo do estilo de vida natural, curamos o organismo doente. (Wandmaker, maio/junho de 2003) Ebba Waerland

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