Acupuntura pode ajudar homem infértil

Participaram do trabalho 19 homens que se haviam submetido aos mais diversos tipos de tratamento

 

A acupuntura pode ser utilizada para melhorar a fertilidade de homens com baixa quantidade de espermatozóides normais. Segundo estudo realizado no setor de Reprodução Humana da Unifesp, foi registrado um aumento médio de 25% na quantidade de espermatozóides morfologicamente normais em pacientes tratados com técnicas de acupuntura. No estudo, Edson Gurfinkel traz esperança para indivíduos que já se submeteram a técnicas tradicionais com medicamentos sem obterem melhora na qualidade de seus espermas. Participaram do trabalho 19 homens que se haviam submetido aos mais diversos tipos de tratamento na medicina tradicional, sem resultados satisfatórios. O tratamento, com 20 sessões, durou 10 semanas. Um grupo com 10 voluntários recebeu aplicações em pontos falsos de agulha ou de calor (moxabustão) e os outros 9 receberam nos pontos corretos, com resultado animador. O objetivo de Gurfinkel, que preparou uma tese de doutorado com esse estudo, foi avaliar se técnicas de acupuntura poderiam ser utilizadas em casos de oligoastenozooespermia – baixa quantidade de esperma. “Houve casos de aumentos até maiores, em que a taxa de espermas normais saltou de 3% para 9%”, explica Gurfinkel. De acordo com o médico, a taxa considerada adequada para um homem fértil é de 14% para que ocorra fertilização com facilidade. Porém, no grupo de estudo havia casos em que esse percentual era de apenas 2%. Segundo dados da pesquisa, um em cada dez casais com problemas de infertilidade busca auxílio médico. Dados da Organização Mundial de Saúde apontam o fator masculino como predominante em 20% dos casos. Outros 27% teriam como fonte problemas tanto em homens como mulheres, totalizando pelo menos 47% de causas totais ou parciais da impossibilidade de o casal ter filhos. Entre as causas da infertilidade masculina estão doenças congênitas ou adquiridas por infecções que atingem as vias seminíferas. Outras, por exemplo, estão relacionadas a disfunções ejaculatórias, distúrbios hormonais, imunológicos, disfunções sexuais ou efeitos de drogas e radiação. De acordo com Gurfinkel, apesar dos avanços científicos na medicina, cerca de 40% dos pacientes inférteis que apresentam anormalidades na produção do sêmen não têm um diagnóstico definido. Como resultado, poucos conseguem um tratamento clínico eficaz, pois, segundo os pesquisadores, não há medicamentos comprovadamente efetivos para o problema. Diante da frustração com as respostas aos tratamentos com remédios foi aberta a possibilidade de se realizar um trabalho com uso de técnicas da medicina chinesa. “O efeito dos remédios disponíveis no mercado para melhora da qualidade do sêmen tem sido desapontador”, afirma o médico Aguinaldo Cedenho, da Casa de Reprodução Humana da Unifesp, orientador da tese. “Desde que o caminho tradicional não tem evoluído para trazer melhora a esses pacientes, optamos por tentar tratá-los com acupuntura.” Segundo Cedenho, esse é um dos primeiros trabalhos relacionando acupuntura e fertilidade. “No Brasil e na área médica internacional não há trabalhos que façam essa abordagem metodológica”, afirma. “Começamos do zero e esse é o trabalho mais bem-feito na literatura médica internacional”, destaca. De acordo com Gurfinkel e Cedenho, a acupuntura está cada vez mais integrada às práticas da medicina ocidental. “A acupuntura não é mais considerada alternativa”, afirma Cedenho. O princípio básico da acupuntura, assim como da medicina chinesa, é de que todos os seres vivos são dotados de uma energia vital. As doenças seriam manifestações de um desequilíbrio entre as polaridades positivas (yang) e as negativas (yin). As causas desses desequilíbrios podem incluir desde mudanças climáticas e má alimentação a estresse. Sensações como raiva, tristeza, ansiedade e preocupações podem alterar o equilíbrio energético, causando doenças, explica Cedenho. É nesse aspecto, segundo Gurfinkel, que a acupuntura teria sua maior eficácia, pois o fato emocional interfere na produção do esperma de boa qualidade. Um esperma leva 74 dias para ser produzido. Qualquer problema, principalmente no início, vai refletir na melhor ou pior qualidade dos sêmens. “Uma gripe ou estresse emocional podem resultar numa piora da quantidade e da qualidade do esperma”, constata Gurfinkel. Por levar em conta esses aspectos, a acupuntura tem sido agora levada em conta como um instrumento auxiliar para casos de infertilidade. “Ainda não conhecemos profundamente seus mecanismos de ação, mas sabemos que possuem efeito energizante e capacidade de provocar alterações em substâncias liberadas pelo cérebro”, diz Cedenho. “Essa linha é promissora e acreditamos que possa trazer resultados ainda mais promissores em tratamentos prolongados.” epm.br/comunicacao/jpta

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