De fácil contágio, escabiose pode dar trabalho

A médica alerta que é necessário o extremo cuidado com todas

 

Popularmente conhecida como sarna, a escabiose é uma doença dermatológica, facilmente transmissível, que pode afetar qualquer um, desde crianças a idosos. A infecção é causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei, que se aloja na vítima por meio de tubos que penetram a superfície da pele. Segundo a dermatologista e professora do curso de Pós-graduação em Dermatologia da Faculdade de Medicina (FM/UFRJ), Sueli Carneiro, a doença é freqüente em crianças. Registros da doença em creches, presídios e quartéis, por exemplo, são comuns. Como o contágio é feito corpo a corpo, o convívio com doentes facilita a infecção. “Por exemplo, se uma criança doente vai para a creche, a chance de as outras se infectarem é maior. Essas mesmas crianças vão para casa e transmitem a doença para os familiares”, explica a médica, demonstrando como a escabiose pode ser transmitida rápida e facilmente. Devido ao contágio corpo a corpo, a doença é considerada também uma DST. A contaminação pode ser feita através das relações sexuais. Os principais sintomas, nesses casos, são feridas nos órgãos genitais. O primeiro sinal da doença é a coceira. A sarna causa o sintoma, porém, em pontos específicos. Nos adultos em geral, a coceira no abdômen e na faixa anterior dos braços é comum. As mulheres podem apresentar na região inframamilar e os homens na região escrotal. As crianças podem ter a coceira no rosto e os idosos, no couro cabeludo. Apesar da freqüente recomendação dos médicos e dos pais, no caso das crianças, de não irritar a área afetada, o ato de coçar pode auxiliar na cura da doença, ou pelo menos impedir que ela se torne mais grave. Segundo Sueli Carneiro, ao coçar, o paciente impede que a doença vá à frente, abreviando o tratamento. “Com pessoas acamadas, por exemplo, a dificuldade de coçar faz a doença evoluir para uma sarna mais intensa, com a formação de crostas”, relata a dermatologista. O diagnóstico é feito facilmente, devido à coceira e à formação dos tubos, que podem ser vistos a olho nu. A medicação pode ser feita por substâncias aplicadas na pele ou por via oral. Para Sueli, essa segunda opção não é necessária. A dermatologista considera os resultados do tratamento tópico satisfatórios, apesar do método por via oral ter sido recentemente descoberto e utilizado. Contudo, o tratamento apenas no infectado não é suficiente. A médica alerta que é necessário o extremo cuidado com todas as pessoas que convivem no local. O paciente deve ser tratado e isolado dos outros. Sueli relata que é comum a doença ser exterminada em um paciente e passar para outras pessoas da casa, e se não forem tomadas as medidas corretas, ser transmitida inúmeras vezes por todos os familiares. Além de evitar contato entre os indivíduos, é preciso estar atento para mais alguns detalhes. A doutora recomenda: “deve-se ter o cuidado de lavar as roupas de cama separadamente, passar com ferro quente, para evitar que a doença se mantenha”. A escabiose é uma infecção intimamente ligada aos hábitos higiênicos. É comum a doença se manifestar em locais onde as condições de higiene são precárias. Contudo, aqueles que mantêm hábitos de higiene saudáveis não estão isentos de ser contaminados. Ao entrar em contato com o ácaro, qualquer um pode ser infectado e contrair a escabiose. Porém, no caso de pacientes que prezam pela boa higiene, o diagnóstico fica mais complicado, segundo Sueli. “Isso ocorre porque ele não apresenta tantas lesões, mas mesmo assim deve ser tratado normalmente, porque o ácaro está lá”, explica a doutora. A prevenção da doença fica por conta desses dois fatores: boa higiene e cuidado no contato com os doentes. “A sarna, isolada em um indivíduo, não gera tantos transtornos. O principal problema, contudo, é a sua rápida e fácil transmissão, portanto quanto mais rápido se fizer o diagnóstico e quanto mais zeloso for o tratamento em casa ou na escola, menos problemas a doença causará e mais facilmente será exterminada”, finaliza a médica. Marcello Henrique Corrêa Fonte: www.olharvital.ufrj.br

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