Hemorróidas: não tenha medo de tratar

Dor, ardência, desconforto ao sentar e, acima de tudo, constrangimento. Assim sentem a maioria das pessoas que se imaginam vítimas de

hemorróidas – uma doença que, de tão estigmatizada, pode fazer o paciente demorar certo tempo para ir ao médico e buscar o tratamento correto. Além dos eventuais pudores, é comum o portador destes sintomas na região anal em geral generalizar com o nome de hemorróidas a sua doença. As dúvidas são comuns. Será que as hemorróidas provocam dor? Quantos tipos existem? Como tratar e prevenir? O primeiro passo do paciente é buscar a ajuda médica, independente da suspeita. Tipos de hemorróidas As hemorróidas são divididas em dois tipos principais: as internas e externas. “Na verdade, as internas são as verdadeiras hemorróidas”, explica o professor João de Aguiar Pupo Neto, chefe do serviço de Proctologia do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho. As hemorróidas internas são divididas em quatro graus: “As de primeiro grau são aquelas que não saem para fora do ânus (não se prolapsam), mas podem eventualmente sangrar”. As de segundo grau se prolapsam, mas se reduzem espontaneamente. Consideram-se de terceiro grau as que se prolapsam e não se reduzem espontaneamente.

Nestes casos, é necessário redução manual ou digital. Já as de quarto grau são aquelas que, mesmo se empurradas para dentro, saem de novo. Ou seja, estão permanentemente exteriorizadas”, explica o professor. O sangramento está presente em todos os graus. E não existe dor, já que as hemorróidas internas localizam-se em uma região de poucas terminações nervosas sensitivas. As hemorróidas externas podem ser classificadas em dois tipos. O primeiro são os chamados plicomas, “que são excessos de pele na região perianal”, afirma doutor Pupo. Se elas não incomodarem, não é necessária intervenção cirúrgica. No entanto, caso o paciente apresente dificuldades para limpá-las, ou se elas inflamarem, o ideal é que se faça uma cirurgia para sua retirada. Causas As hemorróidas são causadas por dois fatores principais: hereditários e adquiridos. “Os hereditários são os mais importantes, mas os adquiridos têm também o seu papel, e são causados por hábitos inadequados, tanto da função intestinal quanto do ato da evacuação”, explica Pupo.

Pessoas que ingerem pouca quantidade de fibras, por exemplo, têm constipação intestinal, e necessitam fazer um grande esforço para eliminação das fezes. “Isso provoca um traumatismo local e ajuda a formação das hemorróidas, forçando aquelas veias a se dilatarem e a irem aumentando com o tempo”, esclarece o professor. Outra causa da doença são os maus hábitos, que podem passar despercebidos. Sentar-se por várias horas no vaso sanitário não é recomendável, já que também força as veias da região anal, e facilita a formação das hemorróidas. O indivíduo apenas deve utilizar a privada quando sentir vontade de evacuar. Prevenção e tratamento – Se o paciente mantiver uma dieta rica em fibras, evacuar em horários certos e mantiver bons hábitos alimentares, diminui suas chances de desenvolver a doença. No entanto, o componente hereditário é importante. Mesmo com diversos cuidados, ainda existe o risco -, explica o médico. O diagnóstico das hemorróidas é feito por um exame proctológico, com instrumentos especiais, pela inspeção anal, o toque retal e a anuscopia. “Sempre que o paciente sangrar e tiver os sintomas de hemorróidas, ele deve procurar um especialista”. Porque um pouco acima destas hemorróidas pode haver um tumor no intestino, de grande incidência. Em 2005, o INCA previu o surgimento de mais de 25 mil novos casos deste câncer, só no Brasil. Este número pode ser menor do que realmente acontece, porque estes dados são baseados nos registros de casos encaminhados ao INCA, atesta o professor.

É importante esclarecer que o exame proctológico é indolor, a idéia que assusta os pacientes e impede de procurar o especialista é o causada pelo desconhecimento. O tratamento depende do grau. “Para o primeiro grau, em geral trata-se apenas com dietas e bons hábitos”. Às vezes, até a de segundo grau pode ser tratada assim, pela melhora do hábito intestinal e da dieta. As de primeiro grau tratamos com esclerose (você injeta um líquido por baixo da hemorróida, na sub-mucosa, para parar de sangrar) ou infra-vermelho (fazer uma pequena queimadura no local das hemorróidas). Para as de segundo e terceiro graus, recomenda-se o tratamento com a ligadura elástica. São anéis que estrangulam as hemorróidas, fazendo-as secarem e caírem. No caso daquelas de terceiro com componente externo associado e as de quarto grau, o tratamento é sempre cirúrgico”, esclarece o professor. É muito comum os pacientes confundirem fissuras anais, doenças venéreas, ou até mesmo tumores de canal anal com hemorróidas.

As causas, sintomas e tratamento destas doenças são distintos. “Um problema comum é a trombose ou hematoma anal, caracterizada pelo aparecimento de um abaulamento em volta do ânus, de cor arroxeada, duro, e muito dolorido”, afirma professor Pupo. O tratamento da trombose anal pode ser de dois tipos: se ela já passou da fase crítica, de dor intensa, ela deve ser tratada clinicamente, com banhos de assento de água morna e higiene local. Se elas estão na fase aguda, o melhor é retirar o trombo, através de pequena cirurgia, ou então utilizar assento de água fria (com gelo). Além disso, repousar e deitar de barriga para baixo são recomendados. No caso de gestantes, é indicado que ela deite virada para o lado esquerdo. – Por isso, o recomendável é o paciente sempre procurar um médico especialista, ao apresentar sangramento e dor na região anal. Só a ajuda profissional pode dar um bom encaminhamento ao caso e muitas vezes prevenir uma doença mais grave -, conclui o especialista. Priscila Biancovilli Fonte: www.olharvital.ufrj.br

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