Piercing na boca: escolha entre vaidade e saúde

Complicações podem levar à perda de sensibilidade da língua, dentes arranhados

 

 

Complicações podem levar à perda de sensibilidade da língua, dentes arranhados e quebrados, ou mesmo a graves reações alérgicas. Usar piercing na língua, lábios ou bochecha não é novidade. Mas o aumento no número de adeptos a cada nova geração de adolescentes preocupa profissionais de saúde bucal. “É muito comum atendermos pacientes com traumas mecânicos na gengiva ou mesmo nos dentes. Há casos de o piercing provocar até mesmo uma mudança no alinhamento dos dentes, prestando um desserviço à odontologia estética e, principalmente, à saúde do jovem. Já existem inclusive relatos de câncer”, diz o ortodontista Ivan Valle, diretor do Oralface Institute. Valle diz que as complicações que a colocação do piercing pode causar vão desde as mais comuns, como infecções, dentes quebrados ou arranhados, tecidos rompidos, até reações alérgicas severas e perda de sensibilidade na língua. “Como a boca contém milhares de bactérias, as infecções são uma realidade em cerca de 90% dos casos. Mas uma língua muito inchada pode até mesmo obstruir a passagem de ar e impedir a respiração do jovem, que tem de ser socorrido imediatamente”.

 

Outro fator preocupante são as más condições de higiene de muitos estabelecimentos que oferecem a colocação de piercings. “Os jovens, muitas vezes, escolhem pelo preço, não pelas instalações e higiene. Isso triplica os riscos”, diz o ortodontista. Hábitos de higiene do próprio adolescente, principalmente durante o tempo de cicatrização, são outro fator determinante para o surgimento de problemas de saúde. “Levando em conta que o tempo de cicatrização do piercing colocado na língua varia de quatro a seis semanas, entre seis e oito semanas nos lábios e de dois a três meses quando a jóia é inserida na bochecha, e que o jovem deve seguir um ritual rígido de limpeza durante o dia para não haver complicações, as chances de dar algo errado são muito grandes”, diz Valle. Os próprios profissionais indicam alguns cuidados, como chupar gelo para reduzir o inchaço, escovar os dentes sempre que mastigar ou fumar, limpando bem a língua, usar soluções anti-sépticas três a quatro vezes ao dia durante o tempo de cicatrização e uma vez ao dia durante todo o período em que estiver usando o adereço, evitar bebidas alcoólicas e os beijos nessa fase mais crítica e mastigar com cuidado para não morder ou engolir a esfera. “O próprio uso exagerado dos colutórios, ou seja, dos anti-sépticos bucais, acarretarão sérios problemas à saúde bucal da pessoa. Quando utilizados com muita freqüência, eles inibem as papilas gustativas, diminuindo parcialmente o paladar, tingindo os tecidos da boca e amarelando os dentes. Conclusão: todos os procedimentos que estão direta ou indiretamente ligados à colocação de um piercing oral podem oferecer sérios riscos. Não há vaidade que compense”, conclui o especialista. Fonte: Ivan Valle, ortodontista e diretor do Oralface Institute.

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